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Endometriose · mai 2025

Manejo da Endometriose no Século XXI: o que há de novo na prática clínica

Uma revisão europeia de 2025 atualiza condutas desde o diagnóstico incidental até a infertilidade — com implicações diretas para o dia a dia do consultório e a melhoria da qualidade de vida das pacientes.

Endometriose assintomática: tratar ou vigiar?

Um dos paradigmas mais discutidos na ginecologia contemporânea é o manejo da paciente assintomática. Com o avanço dos exames de imagem, especialmente a ressonância magnética e a ultrassonografia especializada, o diagnóstico incidental de endometriose tem se tornado mais frequente.

As diretrizes de 2025 reforçam a abordagem conservadora e expectante. Em pacientes sem dor pélvica, sem impacto na qualidade de vida e sem suspeita de malignidade, a intervenção médica medicamentosa ou cirúrgica não é mandatória. O seguimento clínico com vigilância ativa mostra-se suficiente na maioria dos casos.

Antagonistas de GnRH orais com add-back

No espectro do tratamento clínico, os antagonistas de GnRH orais associados à terapia de “add-back” (terapia de adição hormonal) representam um salto terapêutico significativo. Diferente dos análogos tradicionais que causavam um hipoestrogenismo profundo, a nova geração permite titulação de dose.

O protocolo com “add-back” mitiga os efeitos colaterais vasomotores e a perda de densidade mineral óssea, viabilizando o uso prolongado com perfil de segurança superior, garantindo o controle da dor pélvica incapacitante e preservando o bem-estar sistêmico.

Cirurgia: uma vez, bem-feita

O conceito de múltiplas intervenções cirúrgicas tem sido vigorosamente desencorajado. A literatura atual consolida o princípio da cirurgia única e resolutiva. A excisão completa das lesões por uma equipe multidisciplinar especializada é o padrão-ouro.

Cirurgias repetidas aumentam o risco de adesões pélvicas, perda de reserva ovariana (no caso de endometriomas) e complicações operatórias, sem garantir alívio a longo prazo. O planejamento cirúrgico meticuloso é a base da taxa de sucesso na excisão da endometriose profunda.

FIV e endometriose: operar antes?

No contexto da infertilidade associada à endometriose, o debate entre fertilização in vitro (FIV) direta versus cirurgia prévia ganha novas evidências. A recomendação moderna pende para a individualização radical.

Para pacientes com endometriose profunda assintomática (sem dor) cujo único objetivo é engravidar, a FIV de primeira linha é frequentemente a escolha mais segura para proteger a reserva ovariana. A cirurgia pré-FIV reserva-se para casos de dor refratária que impede os procedimentos de reprodução assistida, suspeita de malignidade, ou falhas repetidas de implantação embrionária.

Referência bibliográfica

Vercellini P, et al. “Management of Endometriosis in the 21st Century: What’s New in Clinical Practice”. Current Opinion in Obstetrics and Gynecology, 2025.

DOI: 10.1097/GCO.0000000000001027